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Nossa História

O termo violência obstétrica sempre pareceu forte. A primeira vez que ouvi, logo pensei em histórias de mulheres que sofriam em trabalhos de parto nos hospitais , nas frias e escuras noites de pequenos hospitais desestruturados para recebe-las. Saí da residência médica cheia de vontade de trabalhar e atender bem minhas pacientes, sempre amei ‘fazer” partos normais, mas realmente não achava que fazia muita diferença entre “parir por cima ou por baixo”desde que a mãe e o bebê ficassem bem fisicamente. Orgulhava-me de ser boa em fórceps e episiotomia, afinal eu “salvava”muitos bebês e períneos.

O tempo foi passando e eu “endureci”aos poucos com a realidade da vida após a residência. Atendia no posto de saúde mães despreparadas e muitas vezes desesperadas, com gestações carregadas de sofrimento. Acompanhava resultados péssimos de partos vaginais e comecei a pensar que realmente a cesárea fosse uma opção mais interessante como “parto”.

Ainda aceitava pacientes que queriam parto, mas não as estimulava, não mentia uma indicação, mas sempre pronunciava sentenças de desestímulos do tipo “é a pior dor que tu vais sentir”; “uma vez que tu entre em trabalho de parto, a indicação da cesárea é obstétrica”e, se me questionassem eu me enfurecia, afinal quem era a “doutora”nesse processo todo?

Então, em abril de 2010 tive um TESTE DE GRAVIDEZ POSITIVO! Foi uma surpresa assustadora, tinha acabado de entrar no mestrado, estava trabalhando em 5 cidades, com 2 consultórios…, mas o amor de ter aquele serzinho dentro de mim transbordou no mesmo instante em que vi o resultado do exame.

Comecei a buscar grupos no ORKUT sobre maternidade, os anos de dedicação a medicina tinham me afastado do universo feminino, me sentia desconfortável ao pensar como mulherzinha, mas sabia que queria mudar pelo meu bebê, e queria um parto normal.

Busquei meu obstetra, sabia que ele era parteiro e não fazia cesáreas eletivas de rotina, esse FOI O MEU PRIMEIRO GRANDE ACERTO.

Notei que as consultas variavam sobre os mais diversos assuntos e dei meu primeiro passo de mudança, decidindo saber mais sobre a vida e expectativa das gestantes que eu atendia.

Então, numa comunidade chamada, “gravidez, parto e maternidade” descobri o sistema obstétrico e o quanto eu estava envolvida nele.

Fiquei chocada, furiosa, ofendida com aquela “gente radical” que achavam que todos os médicos eram desrespeitosos e desumanos. Briguei muito, uma vez prometi que não entraria mais naquela comunidade, mas era atraída como uma mariposa para a luz …

Um dia assisti a um vídeo de parto de um blog chamado “Irmão Sol- Irmã Lua e uma bomba caiu no meu colo… aquela era a obstetrícia que eu amava e queria, aquele era o tipo de nascimento que eu queria para a minha Laura…

A partir desse momento me tornei uma chata, pois sabia que não poderia mais continuar na linha de produção, precisava mudar, a humanização veio naturalmente junto a felicidade de trabalhar com mulheres empoderadas, donas de sí, com seus próprios desejos e vontades.

Aprendi a reconhecer partos inadequados, num sistema preparado para tal, e aprendi a lutar contra esse sistema, do meu jeito, com amor, tentando mostrar aonde ele se esconde e como podemos melhorar. Nem sempre com a calma e amor que eu gostaria, mas deixando clara minha posição. A Laura nasceu num lindo parto hospitalar, com muitas intervenções, mas sem nenhuma violência e transbordando de amor.

A luta me dominou, mudei de cidade, de estilo de vida.

No dia 06/09/2013 abrimos, na cidade de Novo Hamburgo RS o primeiro consultório da região voltado ao parto Humanizado, o nome, nada mais adequado que OBSTARE cujo o significado é estar ao lado, não como protagonista, mas como alguém que auxilia, que empodera, que ajuda.

Porque toda essa história? Para mostrar que todos podemos mudar, ver a realidade sem filtros e defender o direito das mulheres, e para isso podemos aceitar pessoas que são diferentes, mas lutam pelas mesmas idéias sem politicagem, preconizando o melhor atendimento para a mãe e o bebê.

GUISELA LATORRE
FUNDADORA DA CLÍNICA OBSTARE.